Suspenso

Por vezes dou por mim a pensar o que haverá por trás de um dia de chuva, aqueles dias em que tudo parece simplesmente desmoronar como uma simples castelo de areia.
Fica assim algo estranho este estado de suspensão, em que estamos animados e cansados ao mesmo tempo.
É como se conseguisse-mos estar optimistas em relação ao que se possa passar, mas pessimistas em relação ao que já passou, ao mesmo tempo.
Penso se na verdade não passará apenas de um estado de espírito em que estou apenas a ser confiante e realista.
É como se algumas vezes o mundo parece-se que nos está a encaminhar em um sentido, sem nos dar sequer uma pista.
Como se alguma coisa acabasse por dar errada, mas mesmo dando errada de alguma forma sentir-mos que seria possível consertar, e mesmo que não conseguisse lá chegar, seguiria tentando.
Até porque as coisas só aparentemente não tem forma de se remediar.
É por isso que há coisas das quais não irei desistir, apesar de estar cansado e com medo.
Talvez não queira fazer parte da lista de todos aqueles que ficaram a meio do caminho.
Sabem, há alturas em que a gente caminha, luta, esforçasse e acaba por desistir quando já está quase a chegar.
Na verdade eu não sei se já estarei próximo da “praia”, mas o que é um facto é que quero continuar caminhando.
Disseram-me um dia que não deveremos dar ouvidos à ”plateia”, apenas porque no meio de todas as pessoas que por lá se encontram há quem “torça” por nós, e outros que “torcem” contra nós, e a maioria, ou pelo menos aqueles que gritam mais alto, dizem que a maior parte das vezes não vamos conseguir.
E é por isso que quero continuar, seguir respirando, deixar de ouvir os zunidos para conseguir alcançar os aplausos, os teus aplausos e saber que fiz a escolha certa.
Até agora tenho a maior parte das vezes seguido pessoas que por algum motivo “pararam” de caminhar, gostaria que conseguissem agora ver-me continuar, mesmo que de alguma forma achem que não chego a lugar nenhum…
Procuro na vida e da vida tanta coisa, que nem sei bem porque “engrandeço” a minha vontade para que tudo, ou praticamente tudo, aconteça à minha maneira, da maneira que as imagino.
Procuro tanto, corro a trás, enquanto pelo meio acredito e persisto, para no fim perceber que apenas corro atrás do vento.
Porque o que eu preciso, dificilmente a “sociedade” me poderá entregar, dificilmente o “ouro” poderá comprar, ou o mundo dar, porque o que procuro é “habitar” contigo, estar contigo e acalmar, sem me preocupar o que poderá acontecer quando o sol voltar a nascer, não é esse o espírito, dizer que não tenho tempo, que o trabalho é responsável, que as coisas passam a voar não é justificação, muito menos desculpa…
Conseguis-te mostrar-me sensações que há muito estavam esquecidas, e outras tantas desconhecidas, nas catarses que passei, por tudo o que me libertas-te e por tudo o que acalmas-te, devo-te isso,
Devo-te a sinceridade e a seriedade de te dar espaço, de te acompanhar, mas de te respeitar.
Na vida é preciso dar alguns trambolhões, para perceber como é bom reerguer-nos, é preciso ficar triste para perceber o real sentido de um sorriso… E isso aprendi contigo.
É esquisita esta sensação de quando confessamos as coisas que se passam por dentro de nós, ok é melhor não generalizar. É meio estranho para mim confessar o que se passa “cá” por dentro.
É completamente apavorante! O que vão pensar? Será que vão efectivamente compreender? Ou será que é isso mesmo que eu sinto.
Mas tudo acalma, por que existe um” lugar” onde descanso em ti, onde sinto a tua presença e esse “lugar” é suficiente para conseguir perceber e aceitar as coisas que não podem e não devem ser alteradas, mas também para ganhar forças para conseguir mudar tudo o que pode e deve ser mudado.
As mudanças provocam sempre convulsões, anseios, influências e neblinas, mas da próxima vez vou estar mais atento, para poder “fintar” todas estas “cenas erradas”…
Por isso, pavores à parte, um dia irei te dizer sem reticências o que sinto, sem me preocupar com o tempo que possa durar, ficar apenas pela aventura do sentir…
Pelo desconhecido e pelo bater do coração, e se por ventura a lua desaparecer por entre as ondas de um mar em uma qualquer praia…
…Acreditar que valeu a pena.
To Be With You
Mr. Big
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