A “cidade” do teu sentir…

Cresci em um “cidade” que não sorri, em que a regra obrigava-nos a ser “marionetes”.
Em que todas as ruas eram rígidas e inflexíveis.
Avenidas onde não existe um brilho, confusões duras e exigências a mais.
E como “panelas de pressão” rezamos a um qualquer Deus!
Não somos "geleiras vazias", e façam-nos acreditar, que alterando essas “ruas” conseguimos sentir-nos renovados …
Que se conseguisse realizar por aqui, conseguiria chegar a qualquer lado…
Para retomar as coisas no ponto exacto em que as deixei…
Da ponte lanço a palma da mão pela cidade e por magia transformo-a de grandes sonhos em realidades, no escuro acendo uma ”luz” e digo sim!
Que a luz me inspira e permitir-me experienciar o que me faz feliz, as escolhas que faço e não o caminho que me indicam…
Estados fugazes cheios de nada e pouca memoria é a monotonia da “cidade” que fujo…
Desço e como um saltimbanco vagueio de “cidade” em “cidade”, saboreio os encantos da existência, a magia do nascer do sol e o aroma da vivencia.
E mesmo que os rostos carrancudos se mantenham irei celebrar os feitiços do “amor” em sua plenitude, todos os abraços ternos e eternos.
Para que o meu nome surja em cartazes luminosos como alguém que não deixou nada por alcançar.
E assim nenhum lugar se pode comparar com as “avenidas” iluminadas do sentir…
Abutres de telha não incomodam mais, existe um Estado de Espírito novo em que as sirenes se desligaram, e os guiões de filmes são realizados por nós, ao revês de folhas soltas escritas por personagens de outras historias de outras exigências …
Não importa o fantasma do castigo ou o preço, nada é demasiado alto ao render do doce despertar sem mistério, nem destino.
Viver mais intensamente, de forma “fulminante” cada momento, conquistar o dia-a-dia transforma-lo em perfeito verso, tornar realidade…
E mesmo no toque do “espinho” distinguir que valeu a pena a beleza da flor…
E por feitiçaria renascer em novas “cidades” de novos sorrisos e viver de forma contagiante a cada toque, a cada carícia.
Perceber que tudo o que fizeram foram receios próprios reflectidos.
E assim irei conseguir de qualquer forma, sem barreiras, fábricas de regras ou lados obscuros, construir a minha “cidade”…
Uma “cidade” é o que fazemos dela a intensidade que lhe colocamos e a poeira que lhe sacudimos…
The Blower's daughter Live Acoustic
Damien Rice
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