O INVERSO É DESIGUAL!




Pouso no silêncio, na indiferença talvez, ou apenas na resistência de assumir.

Pouso no silêncio das respostas no texto já calado, ou na “porta” mal fechada por onde entram poetas intrusos, vontades com luz própria tentando dar voz à ausência acentuada,

Escondido na cor amarga do fim de tarde, poeta de medo chantageando o sentir, dando-lhe quereres sem a minha permissão.

O lume das horas a pouco e pouco entristecem os sorrisos que outrora foram de verdade, e pelo meio imagens de chuva areia e mar, jardins labirínticos de amor e receios, arquitecturas mentais por onde se pode rasgar o momento de qualquer voragem de tempo.

Portanto enquanto pouso no silêncio esclarecedor construo estados de areia e cinzas, de água e fogo, de cassiopeias terminais abandonados à invasão do tempo da melancolia.

E em tempo integral sacrifico sabores de outros estados sagrados, momentos resplandecentes de emoção com os quais os frios e insípidos moralistas me assustam.

Cerceado durante um tempo demasiado longo como o mar se revolta contra paredes, em maré viva, como uma manhã confusa, nevoenta por onde se quebra o pesadelo e se afasta os fantasmas, prolongo esse instante de ilusão contado pelos dedos.

Com o peso da luz, das melodias das músicas e das palavras nunca ditas, preencho a alma.

Com o peso de uma lembrança, de uma saudade ou de um olhar resigno-me ao sabor do vento ou até onde o mesmo me levar!

E assim o meu “valor” pesa como pesa uma ausência, tem o imaterial valor da solidão no meio de outros…

Viver milhares de vidas antes desta, e renegar a essência do que somos feitos, esquecendo a beleza e graça, aguardo o sinal de vida ao qual aprendemos a chamar destino.

Guardo na palma da mão o sentimento da vida eterna, de momentos suspensos como Babilónia.

Assim como um grito de fuga gelada no qual escrevo o que a vida me deixar ser, e sei que cada palavra escrita tem a dimensão de um gesto da fímbria do mar…

Que silencio tão grande!

No interior desse silêncio, mais silencio, e no interior desse mais silencio uma vontade escondida de um grito mudo contido pelo receio de falha, do etiquetar pessoas e estados com experiencias vividas.

Construir peça a peça um sorriso difícil, que responda por nós…

Porque na verdade não me interessa saber o que se faz da vida, apenas desejo ardentemente ousar sonhar em atentar aquilo pelo qual o coração se silencia, anseia.

Não me interessa saber o tempo, estados ou realidades, e sim se arriscaria ser um tolo por amor, por sonhos ou pela aventura de estar vivo.

O silencio a pouco silencia-se e distrai os planetas que estão em quadratura com a lua.

Procuro tocar o âmago da cor que da vida ao sentir, aceitar a alegria em qualquer tempo ou em qualquer lugar sem narcotiza-la.

Deixar que o êxtase me domine até à ponta dos dedos e dançar ao abandono de uma cautela ou de um fracasso qualquer, sem trair a minha alma.

Sustentar-me a partir de “dentro” quanto tudo o mais se desmorona, estar sozinho comigo mesmo e… realmente adorar a companhia que tenho em momentos vazios.

O silêncio pousa, provoca despistes e arrepia caminho, coloca-nos a dúvida!

E aqui a noite é a presença de uma lua e estrelas do toque de perguntas…

ATG

ATTTIAY



Hear i stand, and i dont know why
Why should i wait, when i'm ready to fly
I had that feeling, right from the start
That i've been shot, straight into my heart



Fade To Black
Metallica

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