Um Lugar Chamado Aqui!




Do” lugar” onde “vivo”, não existe espaço para o que poderia ter acontecido…

Aqueles arrependimentos da palavra não dita, ou do respirar não dado…

Do “lugar” de onde “existo”, amo a vida, todo o seu ar e o frio na barriga…

De “lá”, de onde “Vivo”, vejo o presente, só o presente.

Mas na verdade não é o presente que procuro, quero a realidade, as coisas que existem e não o tempo que as mede!

Até porque o presente é uma coisa que implica o passado e o futuro, é algo só existe em virtude de outras coisas, e o que eu procuro é só a realidade das coisas, sem ser preciso o presente.

Não quero incluir tempo no “lugar” de onde existo!

Porque não quero pensar nas coisas como presentes, quero pensar nelas como essência que são!

Sem amarras, tempo ou memória.

Não as quero separar de si próprias! E nem por reais as devia tratar.

Aliás eu não as devia tratar por nada, não as devia rotular, classifica-las!

Único é isso mesmo! É não ter semelhança com nada.

E assim do lugar de onde “existo”, eu apenas deveria senti-las, senti-las sem ter que pensar nelas, sem tempo nem espaço.

Poder dispensar todos os acessórios, menos o que se sente…

E assim desse “lugar” consigo sentir que o impossível é extremamente possível, uma mistura de realidade e virtualidade.

Como um sonho que me faz rememorá-lo o dia todo, “saboreio” cada momento, sem sentir necessidade de o colocar em um espaço ou tempo.

A vida é de facto pedaços de pequenos nadas, mas que poderiam acontecer a qualquer momento, em qualquer altura e é isso que faz a magia!

Não ter que pensar em nenhum lugar, ou olhar.

Ser só porque se sente, até porque o manhã não existe o ontem também já não…

Do “lugar” de onde “existo”, sou um sorriso tímido, uma lágrima sentida do mundo lá fora reflectido aqui dentro.

Lá, consigo pisar o palco, sem sentir que me “dispo” no meio da rua, aceitar todas as emoções acumuladas, e nascer novamente.

Agradeço pela oportunidade de poder ser feliz por alguns minutos, e luto por ela.

De onde “vivo”, posso ser livre, e ter a liberdade de ser o que sou…

De sonhar e viver, não existe espaço para “ses” ou “talvez”, apenas uma alusão fantástica de um voo nocturno…

“Existo” de um lugar onde a voz do silêncio se esbatem nas minhas palavras.

Um lugar simples, e único...

Hoje estou aqui! “Amanhã” já não sei…

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste,
Mas triste é o que estou.
(Fernando Pessoa
)



Olá(Cá estamos Nós Outra Vez)
Jorge Palma

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