ESTADOS...



Alguém disse-me um dia que a vida está ai! Para ser vivida…

Para se aproveitar as oportunidades, e pôr de parte o resto, deixar-nos levar à “boleia”.

Mas na verdade, muitas vezes o sentido do que está correcto, por muito que nos deixe o coração apertado, faz com fiquemos com os braços vazios, a nossa vida desarrumada, mas sempre em silencio…

De que adianta viver grandes expectativas, se acabo sempre por tropeçar no meu “momento” e tempo, acabo sempre por deixar de “perder” a cabeça.

Apesar de passar a vida sonhando, de repente amedronto-me, fico sem palavras, com vontade fugir, de ser tudo, menos eu!

Mas na verdade, talvez ninguém se importe muito com isso, porque, também, talvez ninguém se deu muito ao trabalho de ouvir o bater do coração e tudo isto não passem de palavras sopradas ao vento.

A responsabilidade talvez (também) seja minha, porque demonstro sempre ser forte!
À superfície é verdade, mas nunca na totalidade.

E isso faz com que na verdade chegue à conclusão de que de facto eu não exista, e o que exista é uma projecção daquilo que gostaria de ser…

E assim fico! Com esta sensação de incompleto.

Sei que a culpa é minha pois passo a vida a “sentar-me” no meio do caminho, procurando palavras que não conseguem explicar o que o coração quer dizer.

E talvez por isso eu nunca diga muita coisa, talvez com medo ser mais que o suficiente e isso fazer com que a “luz se apague” e então nem meio caminho… Apenas angustia.

Portanto não me perguntem coisas que não queiram que eu responda!

Não me perguntem coisas que já sabem, mas que não querem ouvir!

Pois, pelo meio apenas tento deixar uma “luz acesa”, alguma coisa a que me possa agarrar para não passar a vida a fugir, que consiga fazer parar estes “pesos” que me atravessam a mente.

Para que tudo se torne menos tortuoso, e que não pense que esteja completamente perdido e que após o meu sonho não passe a vida a caminhar sozinho!

Mas se por ventura me perguntarem irei querer que saibam que apesar de não ser perfeito, tento ser o melhor, que esqueçam os meus erros e que me ajudem a deixar pelo menos ficar alguma razão para viver…

Que não encontrem razões para ficarem ressentidos comigo…

Se assim o entenderem, irei fazer para esquecer tudo aquilo que aprendi a esconder tão bem (pelo menos assim o acho).

Fingir que nunca dai passou e conseguir salvar-me de quem eu sou, para que possa sentir que de alguma forma mesmo no meio da luz do dia ainda consiga brilhar um pouco.

Sei que não tenho o direito de exigir da vida mais do que estou disposto (posso) a dar.

Mas por vezes parece que estou correndo contra a sorte, que finjo não perceber os sinais, apenas por não saber como será o amanhã.

Mas isso na verdade não importa, pois as palavras nunca poderiam justificar os sentimentos.

Mesmo que, por mil e uma vezes pensemos ter percebido tudo, acabamos caindo do escadote.

E que apenas pelo decorrer da noite consiga perceber o que se passa por dentro, se sou esperto o suficiente para sair da chuva?

Ou se apenas sou um tolo, vivendo de utopias, enquanto o mundo apenas vai passando…

Sei, ou pelo menos acredito, que não existem coisas impossíveis que não possam ser alcançadas, assim como também não existem certamente as que são possíveis mas mesmo assim se tornem inalcançáveis, pois tudo depende do “sentir” que lhe colocamos.

E isso faz com que acabe voltando ao inicio pensando no que está à minha frente e o que deixo para trás.

Terei eu perdido o juízo?

Terei eu deixado fugir a minha oportunidade?

Estes malditos sinais que se arrastam a cada respirar, fazem com que apenas ocupe espaço.

E no final apenas me lembre que a estrada continua eternamente…


Wish You Were Here
Pink Floyd

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