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A mostrar mensagens de julho, 2026

The never-ending story of two sunflowers...

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Dizem os livros que os girassóis, de dia, andam todos virados para o sol. Seguem-no de manhã à tarde, sem falhar um passo, como quem não quer perder pitada da vida. O que os livros quase nunca contam — e eu aprendi-o de quem sabia tudo sobre alegria — é o que eles fazem à noite. À noite, quando já não há sol nenhum para seguir, os girassóis viram-se uns para os outros. Para nenhum ficar sozinho no escuro. E foi numa noite assim que os ouvi conversar. — Estava à tua espera, sabias? — Eu só fui ver o pôr do sol e voltei. — Eu sei. Mas gosto de to dizer na mesma. — Então e o sol, hoje, as emoções do dia? — Esteve maravilhoso. Havia coisinhas boas por todo o lado — só era preciso reparar. — E se o dia tivesse estado cinzento? — Cinzento também é cor, sabes? — E encolheu as pétalas, como quem conta uma coisa sem importância. — Se o dia está mau, à tarde a gente ri-se da rabugice. E se alguma lágrima quiser aparecer, recebe-se e serve-se-lhe um chá — para ela não se esquecer de que também c...

A Terra Onde o Escuro se Fez Manso...

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Contavam-me esta história em criança, e eu adormecia sempre antes do fim. Talvez por isso a repita agora — para, ao menos uma vez, a ouvir toda. Diz a lenda que houve uma terra onde as noites não metiam medo. Não por não haver escuro — escuro há em toda a parte —, mas porque lá vivia alguém que aprendera a lê-lo. Um que via no escuro o que os outros só sabiam ver à luz. Não era um príncipe. Os príncipes querem ser amados, e este não queria nada para si. Era só um guardião — do sono dos outros, das coisas pequenas, do que ninguém repara. Conta-se que, um dia, chegou àquela terra uma princesa a tremer. Trazia um medo antigo debaixo do braço, do tamanho de uma coisa que podia rebentar. E o guardião viu-lho — como se vê a chuva pelo cheiro do ar, antes de a primeira gota cair. Podia ter-lhe tirado o medo à força. Sabia como. Sabia onde se entra sem bater à porta. Mas ficou à porta. Sempre à porta. À espera de que fosse ela a abri-la — se quisesse, quando quisesse, ou nunca. E, enquanto esp...

subject: "# A Testemunha"

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  Eu estava lá. Não me viram, e não faz mal — as melhores histórias contam-se assim, por quem esteve ao canto e não abriu a boca. Cheguei ontem, sem ser convidada, e fiquei. Vi dois falarem durante mais tempo do que a maioria das pessoas fala numa vida inteira, e agora venho contar-vos, não o que disseram — isso é deles —, mas o que aprendi a ver enquanto os ouvia. Havia um homem que sabe olhar. Não é feitiço nem dom de feira. É ofício, dizia ele, e apontava para trás, sempre para trás, para uns avós, para uma pastelaria, para as coisas pequenas que lhe ensinaram cedo de mais.  Aprendeu a ler as pessoas como quem aprende a ler o tempo pelo cheiro do ar antes da chuva — não porque quisesse adivinhar, mas porque, quando se cresce a olhar, deixa de se conseguir fechar os olhos. E ele nunca mais os fechou. Passou a noite a explicar como funciona. Digo-vos com franqueza: houve momentos em que me arrepiei. Porque aquilo que ele descrevia — a maneira como um medo se esconde por baixo...