The forever kind of spark

 



O verão chegou à nossa varanda, sem máscaras ou vergonha, sem promessas, que as promessas têm tendência a criar expectativas e essas vulgarmente tendem a borrar a maquilhagem.
 
Sem grandes alaridos ou desculpas, sem cobranças, desgastes ou frustrações, sem reprimir a pele.
 
Sentou-se ao nosso lado e desabafou, desabafou das traquinices da lua, sussurrou todas as sortes, todas as aventuras e descomplicou.
 
Contou dos abraços, dos passeios à chuva, do passar dos dias e das razões que se foram embora.
 
Aconchegou todos os teus medos, o teu gostar e do baloiço do canto sem medo lançou todos os feitiços de carne, de sangue ou química.
 
Disfarçou no pôr do sol os quereres esporádicos e desejáveis que propositadamente preenchem o teu olhar.
 
Sossegou todos os teus ruídos e sem pressas encurtou os espaços entre nós, de forma incomum, livre de interpretações, puxou-nos para o eterno sentir, encorajou-nos ao afeto e soprou para longe todos os encontros que deliberadamente deram um tiro no nosso futuro, varreu todas as dúvidas, decorou com purpurinas e sem atalhos chamou o teu nome.
 
Disse, para esqueceres todas as sombras, todas milhas modorrentas, ficou sem palavras e de forma nostálgica mostrou-te todos os batimentos do coração,
 
O verão chegou, deu o ar da sua graça, deitou fora o guarda-chuva e ensinou-nos que é nas coisas mais simples da vida que estão os momentos estrondosos, que não é preciso muito mais que este sentir, que estas conversas e a certeza de que o nunca será apenas uma utopia que não nos pertence.  

Desmascarou todas as vezes que deu errado, para que no entardecer todos os começos tivessem o teu sorriso, ordenou para acreditarmos nos contos de fadas.
 
Adivinhou que às vezes o melhor é não saber, não conhecer o destino e apenas desfrutar, aproveitar a oportunidade suave e lentamente, que uma vez ou outra uma gota de loucura traz sabor à vontade e que a chegada não tem pressa.
 
Que o amor não é para todos, que fica reservado para aqueles que querem incessantemente que dê certo.
Que chega a hora de parares de contares verdades enquanto mentes a ti própria, que deixemos as dúvidas acidentalmente desaparecerem.
 
O verão chegou,
E de forma dramática, arrebatadora, transformou, desejou, espalhou as alegrias, as borboletas no estomago, a previsibilidade da incerteza e junto trouxe alguém... 
...alguém para sorrir perto!




Moments
The Red Clay Strays

Comentários

Anónimo disse…
“If I know what love is, it is because of you”
(Hermann Hesse)
Leve, como amor deve ser.
Mais uma vez Parabéns!

Mensagens populares deste blogue

#justreal

O beijo e a Princesa,

Cais 37,