So go ahead…
Então vai em frente e odeia-me,
odeia-me com todas as tuas forças, abomina-me, continua a estrada.
Rasga todas as fotografias e de
sorriso sarcástico, diz a todos os teus amigos a loucura que foi, desdenha, que
foi uma parvoíce, que não teve interesse.
Dei-ta fora,
Deita fora o pedaço que quebrou, deixa-me
ser o infame, ou então simplesmente sorri lembrando.
Força, detesta-me, sem problema, se
for isso que te faz respirar, ficarei com todas as culpas, ou pecados, serei o rude,
o insensível.
Amaldiçoa o meu nome, queima todos
os textos, chame-me palavrões, promete que não passou de um querer psicótico,
acusa-me de ter desistido, ou de ter tentado tudo.
Faz as malas e grita, grita o
quanto doeu, ou o quanto ainda desejas.
Sorri e exclama “que estupidez!”,
vira as costas e não voltes mais, xinga todos os desejos, ou o quanto gostei de
ti, reitera o final, que não foi nada.
Vamos, odeia-me, esquece-me e não
me dês importância, arranca-me desse coração, faz de ti a Princesa e de mim um
singelo fantasma, espalha todos os rumores do erro, da contradição, de que não
era verdade que o amor te deixou ir, só para poderes viver.
Acusa-me de te ter despedaçado, guarda tudo em uma caixa, se é isso que te faz especial.
Vira as costas, procura outros
destinos, sopra as estrelas para lá das nuvens, deixa-me ir, apaga todos
aqueles sorrisos, todos aqueles toques, aqueles bons dias, seca as lágrimas e brada,
brada que não foi nada, que desejavas deixar-me ir, que como terminou foi bem melhor
do que como começou, que não me querias mais.
Vá lá, odeia-me, inventa que não
foi único, que juras que não repetias, “já mais!”, que eu sou louco se achar que
o coração ainda acelera quando um laivo de felicidade vagueia pelo teu
pensamento, que a respiração não oscila entre a saudade e a vontade de só mais
uma vez, afirma que é uma calúnia.
Promete que merecias melhor, que
tudo foi pouco, que não consegui perceber que querias que ficasse,
Deixa só a parte de que não tens a
culpa, que foi tudo sem querer, demasiado rápido e que a intenção não conseguiu
acompanhar o medo, que outro tempo, outro lugar seria mais fácil.
Foi Assim
Simone de Oliveira

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