Tears and Smoke under a southern sky
O fumo ainda aparecia ténue, entre as memórias de tudo o que fiz, sem conseguir dizer se teria ganho ou perdido, atravessei o tempo, o querer, esquecendo momentos que guardei de outros tempos.
Desilusões desvanecem na imensidão do sótão dos medos,
Convivendo com os pecadores, aprendendo a confiar, esqueci todos os demónios que gritavam o meu nome, fossem eles de tentação ou provocação…
Entre o sabor amargo, com a alma meio rasgada, tentando encontrar qualquer coisa em um mundo tão morno, de como o amor desapareceu, na realidade de uma vida imperfeita.
Haverá sempre noites que me levam a ti, como aquela leve
recordação de um bombom que já não existe, de uma alma que o medo sequestrou.
Como as vozes dentro da minha cabeça, ou os teus quereres que visitam os meus sonhos.
Chuva e fogo, sol e sossego ou cada pecado cravado no sentir.
A poeira ainda se levanta na estrada das viagens ensurdecedoras, pensos rápidos para feridas profundas, cada queda na realidade e por algum desconhecido motivo, misericórdia!
Cada palavra tem uma história para contar, sejam elas de
subidas na garupa de Fernão, ou em uma dança com o inferno.
Sejam elas imperfeitas confissões de perfeitos sentires, ou absolutamente perfeitas esperanças das vozes defeituosas dentro da minha cabeça.
Paga o preço, ou reduz o custo,
por cada pedaço de verdade meia dúzia de acendalhas, por cada saudade um milhão de fósforos.
Por cada sorriso uma lágrima radiante.
Podes apostar, perder ou até afrontar o meu íntimo, mas o que foi forjado pela vontade dos Deuses, arranjará sempre uma forma de viajar junto com aquela suave e saborosa brisa.
Cinzas e vento, escolhas e passos lentos, vergonha e uma
estória nunca acabada.
Cravo a fogo na melodia das chamas de quem recorda o nascer do sol com a melancolia de uma estaurídia lua de aço.
Podes testar todos os quereres, todos os desejos, todos os
desnortes, ou apenas um olá fugidio.
Mas a alma gritará forte é nos quereres mais absurdos que as cicatrizes são mais notórias, onde todos os pecados compõem harmonias que tropeção na paz de um querer só nosso.
Já vi a luz do dia pelo vidro de garrafas, perdi o rumo por
incontáveis caminhos, entreguei-me completamente às cegas e queimei ligações que
julguei eternas, acordei um sem número de vezes nesta almofada, bordada com as
inicias do hotel que conhece os meus gostos matinais de cor, mas existirá
sempre aquela fração de segundo de como seriam acompanhadas pelo teu sorriso.
De como cada dia se tornou verdade, de como cada demónio se riu a cada virada da noite de todas as escolhas que fiz.
Sem perfeição, pretensão, apenas verdade, sejam elas apenas projetos inacabados ou tropeços de sorte.
Cada saudade apenas inflama o querer, um pobre querer já não de desejo, mas de um pedaço, que rodem os motores pelos atalhos que surgirem, será sempre de um sentimento incompleto, que por pura imbecilidade continua a embirrar com aquela ínfima esperança da realidade acima da razão.
Continuo sentindo os demónios chamando o meu nome, dizem para nunca perdermos a nossa alma, mas eu acabei a vendendo uma vez só para preencher o vazio…

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