Paint me Black and Blue…

 



 

Hoje passei à tua porta, o acaso levou-me lá, o sem querer ou o destino,
 
Como é que foi possível?
A surpresas do momento estagnou-me do outro lado da calçada.
 
De olhar terno, senti o teu cheiro, o coração acelerou e vi-nos passar de mãos dadas,
O tempo não passou por ti, continuas com aquele sorriso de criança, que me fazia sentir peculiar, que me fazia apostar que tinha um lugar especial na tua vida e que ainda hoje fazes questão, de algures por aí, de o guardar, que fazes questão de o revisitar, quando o dia fica tristonho, ou apenas quando precisas lembrar-te do que era espontâneo, do que era ser puro, do que é ser especial.

Continuas com aquele caracol no teu cabelo, com aquela Áurea de Princesa Andaluza.
 
Senti falta do som do mar e senti a tua falta, senti a falta daquele passar do tempo, das conversas.
 
E respirei, respirei com a calma de quem sabe que alguma coisa ficou, que este estranho sentimento de que estaremos para sempre ligados, não tem a mínima explicação, ou razoabilidade!
 
Passei à tua porta,
E olhei pela janela, tive a obtusa esperança de te ver, de olhar nos teus olhos e de te ver acenar, de me afirmares que és feliz, que valeu apena toda a saudade, toda a falta, que ainda hoje a ingénua sensação de que “ela ia adorar isto”, que ainda arrepia a pele, não seja só uma mera patetice.
 
E… Uma irrequieta lágrima escorreu-me no rosto e desejei, desejei com todas as minhas forças abraçar-te, ordenar a paragem do tempo e ter-te aqui, sentir-te e poder conversar, servir-te um chá e simplesmente ouvir-te, ouvir-te com o entusiasmo de criança que tínhamos e admirar-te, como sempre te admirei.
 
A avenida ficou completamente deserta, o burburinho das falas desapareceu, ao fundo naquela esplanada, sentamo-nos e com a euforia de quem esqueceu os medos, fomos derrotando os silêncios, quebrando as barreiras e sentimo-nos, sentimo-nos como quem pertence à mesma pele, de quem não precisa de equações, duvidas, permissões, justificações ou palavras, apenas o conforto de estar perto, de saber que a maldição que nos foi lançada não será mais forte.
 
O teu olhar contava histórias de conquistas e quereres, de imperfeições reais, tão reais quanto o nosso sentir,
 
E perante aquele reviver sorri, sorri como me pedias para o fazer,
Quis-te dizer, entre os soluços e a emoção, que foste o melhor acaso que o Olimpo desejou, que uma vida inteira não substituirá a meia dúzia de anos que estiveste <<{”por aqui
}>>, que por mais desafios, inconfidências, sentir-te ao meu lado é a memória que faço questão de ninguém tocar.
 
Quis fazer as contas ao passar dos anos, de quanto tempo levou entre “lá atrás” e o agora, mas percebi que era impossível calcular o valor do “lá atrás”, pois o “lá a trás” continua a ter a displicência de parecer ser desde sempre! Que nunca irei perceber se estamos no ponto de partida ou de chegada.
 
Revivi todas as tuas palavras, os teus dilemas, os receios, procurei os escaços pontos de encontro e zanguei-me.
Zanguei-me com a vida, com os afazeres, que sem eu me aperceber ocuparam o espaço que deveria ser teu.
 
E sem conseguir esboçar a mínima reação, guardei junto ao coração as confissões que me fizeste, do sim que os teus intensos silêncios gritavam, do sossego que era a tua companhia.
 
Nunca ninguém poderá substituir o que a sina nos destinou, será sempre real aquelas madrugadas, como aqueles carinhosos “Boa noite, dorme bem”,
 
Mas também seria uma estupidez atroz ficar zangado porque o destino, aquele que hoje me trouxe aqui a esta calçada, ditou uma data de validade, que seria uma indelicadeza com os nossos sentires, não ficar, no seu lugar, grato porque aconteceu.
 
E assim, afugentando a culpa, com um sorriso nos lábios, 
hoje depois de ter passado à tua porta quase sem me aperceber, contive o folego e segui o meu caminho.

(Todos os direitos reservados CronicasNM )

 
Incase you miss me
Teddy


Comentários

Anónimo disse…
Bolas!!!
Anónimo disse…
... É que tocou(...) Parabens!
Grato pela sua atenção, seja sempre benvindo(a)

Mensagens populares deste blogue

#justreal

O beijo e a Princesa,

Cais 37,