You might get burnt!

 



 

Parem o mundo que eu quero sair….

Desde que os meus olhos tiveram o prazer de encontrar pela primeira vez este “pálido ponto azul”, que tenho a sensação de que vim algures por aí aos trambolhões.

Fora da caixa, entre céus só meus e de modos alucinantes, chapeleiro louco, protostar.

Contagem decrescente e mais o querer de quem incendeia a vida, de quem o só morno, ou em chávena fria não serve.

Tem de escaldar, fervilhar, fazer tremer, (para trás? nem para pegar impulso!).

Um início estrondoso e a alegria do toque, da certeza de que os momentos não se repetem, que têm sempre uma parte que será única, mesmo que a predominância do guião se mantenha.

Haverá sempre uma parte de ti, ou de mim, ou daquele fosforo em chama.

Serei sempre muito mais o momento, do que o futuro, mas com a plena convicção de que se o presente for uma sequência continua de momentos estrepitosos, o futuro não será muito longe disso.

Sou de viajar contra a maré, alguém que enquanto o mundo se espanta ao se aperceber que caminha para o mais profundo inferno, exclama, “-pelo menos, que bela vista que temos da estrada!”.

Não é otimismo desmedido, nem tão pouco estupides absurda, é uma sensatez de que a melhor opção será sempre a que doi menos, a que pesa menos, a que agrada mais à vista, não faz desaparecer os caixotes e a poeirada que se vai acumulando, mas alivia e nós devemos sempre fazer a nossa parte.

Deem-lhe as voltas que derem, mas uns “shots de kerosene nas veias” irá sempre trazer a nuance da irrepetibilidade.

Tudo bem, há quem procure sagazmente a felicidade absurdamente absoluta, mas eu apenas alguém que faça questão de aparecer naquela foto que nos empenhamos em guardar.

Quem se borrife ferozmente para os grandes e monótonos debates que se repetem sem nunca terem sequer sido de alguma forma produtivos, dou muito mais valor às conversas tontas de qual das estrelas, que a nossa vista alcança, tem o tamanho dos nossos sonhos, em uma qualquer beirada de um oportuno telhado,

Haverá sempre quem queira mudar todas as montanhas, eu fico-me pelas que têm a certeza que usufruíram de todas as suas vistas, antes que por força das circunstâncias se tornem inevitavelmente inalcançáveis.

Não valerá nunca apena caminhar desastrosamente para o fim da vida, sem saborear a cumplicidade da vivencia, do sorriso, do toque.

A vida é muito mais que o “twenty-four seven”, e se a vida é nossa, deveremos então dar-lhe de quando em vez a rédea solta, para que possa respirar, ser um pouco mais de uma noite na feira popular contigo e muito menos um melodramático chuvisco de terceira categoria.

Um sentimento psicótico de um rastilho curto, de que nada fará sentido se não tiver o bater do coração, o carinho do toque, o conluio da vivencia, de que correrias amalucadas só servem para chegar atabalhoadamente ao fim do dia ufano e desgovernado.

Nem ET, nem australopiteco, apenas alguém que acredita com todo o seu querer que a vida também acontece entre voos, entre os momentos do aqui e acolá, entre o ontem e o amanhã, mas muito mais pelo agora, entre alguns momentos de descontrolo, entre sentimentos feitos de palavras e palavras em eternidade.

Alguém que crê que a felicidade não é algo que iremos encontrar no final de um arco-íris, mas que se faz pelo acumular de momentos inestimáveis, por aquela caixa de sapatos carregadinha de fotos a transbordarem memorias, das viagens no final de setembro, ou do abraço ao virar da esquina.

Alguém que no dia que infortunadamente deixar de poder contemplar o “pálido ponto azul”, não espera que ele pare, ou que seja capa de jornal, apenas que entre uma qualquer memória tola surja um sorriso, um valeu apela, mas acima de tudo alguém que pelo meio, nem que seja só para desanuviar, tivesse a coragem de o ver pelos seus olhos…


Ordinary Man ft. Elton John
Ozzy Osbourne

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