(…) Confissões de uma Amor caído
(…)
— O que é que a vida fez connosco?
Perguntou ela, com a voz a tremer entre a coragem e o medo.
Ele demorou a responder, como se a pergunta não fosse nova,apenas nunca tivesse sido dita em voz alta.
— Tornou-nos numa história impossível…
Murmurou, com um sorriso gasto.
— Daquelas que não acabam, mas também nunca chegam a começar
como deviam.
Ela engoliu em seco e aproximou-se um passo.
— Posso perguntar-te uma coisa?
Ele olhou-a de lado, com um brilho cansado, mas cúmplice.
— Desde quando é que precisas de pedir permissão?
Houve um silêncio breve, pesado de tudo o que já tinham sido.
— Alguma vez…
Começou ela, hesitante,
— Alguma vez tivemos uma hipótese real?
A pergunta ficou suspensa no ar, frágil demais para cair.
Ele desviou o olhar, fixando um ponto distante que não existia.
— Tivemos momentos
Disse, por fim.
— Mas nunca tivemos
tempo. E, sem tempo… nada cresce. Nada fica.
— Sabes… quisemos crescer, procurávamos um destino sem dono, mas com horas para
jantar. E esses “queres” acabaram por quebrar as razões que nos seguravam.
Ela abanou a cabeça, recusando aceitar.
— Não pode ser só isso. Não pode ser só falta de tempo… há
coisas que sobrevivem a tudo.
— Nós sobrevivemos
Respondeu ele, num sopro.
— Mas sobrevivemos separados.
A noite adensou-se à volta deles, como se o mundo tivesse
decidido não interromper.
— E este sentimento?
Insistiu ela, agora com a voz mais baixa.
— Isto que não passa, que não se gasta… que aparece sempre
quando penso que já segui em frente?
Ele sorriu, triste.
— Isso… é o que fica quando duas pessoas se encontram na vida
certa, mas no momento errado.
Ela fechou os olhos por um instante, como se aquilo doesse
mais do que esperava.
— Então era inevitável?
Perguntou como quem procura um penso rápido para a angústia que lhe crescia no
peito.
Ele demorou a responder.
— Não sei se era inevitável…
Disse, finalmente.
— Mas foi tudo o que soubemos fazer com aquilo que éramos na
altura.
Ela aproximou-se ainda mais, como se a distância fosse agora
insuportável.
— E agora?
Perguntou, quase num sussurro.
— O que fazemos com
isto… connosco? Com a nossa história, que nunca encontrou o fuso horário certo?
Ele olhou-a com uma intensidade desarmante, como se estivesse
a gravar cada detalhe.
— Agora…
Começou, mas a voz falhou-lhe.
As palavras ficaram presas, esmagadas pelo peso dos anos, das
escolhas, das vidas que, entretanto, construíram longe um do outro.
Num impulso, puxou-a para si. Passou-lhe a mão pelo cabelo
com a fragilidade de quem a conhece de cor.
Ficaram assim, imóveis, como se o tempo tivesse finalmente
decidido parar… tarde demais.
— Nós nunca falhámos por falta de amor
Disse ele, contra o cabelo dela.
— Falhámos porque o amor… não chegou quando devia.
Ela não respondeu.
E, naquele silêncio, perceberam os dois que há histórias que
não se resolvem.
Apenas continuam com a delicadeza de quem nunca as deixou de sentir por perto.
(…)
Trecho do livro Confissões de um Amor caido.
(Todos so direitos reservados CronicasNM)
The Greatest
Lana Del Rey

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