You put the magic in me

 




Como uma história de domingo de manhã, de ida ao cinema em família, foi assim que ela sempre imaginou o amor: direitinho, alinhado, bonito, com passos certos e finais que deixam toda a gente tranquila.

Cresceu entre silêncios bem-educados e regras que não se discutem, apenas se seguem. O amor, para ela, era uma coisa delicada, algo que se segura com cuidado, como se qualquer excesso pudesse desfazê-lo.

Ele… bem, ele nunca aprendeu a andar dentro dessas margens.

Era feito de pressa suave e de sorrisos que apareciam sem aviso. Vivia como quem confia no vento, sem mapas, sem garantias, mas com a certeza de que a vida cabe melhor quando não se tenta prender tudo.

Tinha um jeito desalinhado de existir, como quem acorda sem plano e ainda assim acerta no dia. Ria mais vezes do que a vida lhe pedia, falava sem filtros e vivia como se o mundo fosse demasiado interessante para ser levado tão a sério.

Quando se encontraram, o universo pareceu hesitar por um instante.

Ela estranhou aquela leveza quase irritante.
Ele achou graça à forma como ela parecia pedir licença até para sorrir.

— Tu complicas tudo! 
Disse ele, um dia, meio a rir.
— E tu não complicas nada!
Respondeu ela, levantando uma sobrancelha.
— O que, sinceramente, me parece suspeito.

Ele riu. Ela tentou não rir. Falhou.

E foi aí que começou.

Ela vinha de um mundo onde tudo tinha medida.
Ele vinha de um mundo onde, se desse vontade, corria mesmo sem saber bem para onde.

Houve desencontros, quase ternos.

Ela a tentar perceber como é que ele não se preocupava com “o que os outros vão pensar”.
Ele a tentar perceber quem eram, exatamente, “os outros” que ela tanto mencionava.

Mas, no meio dessas diferenças, havia qualquer coisa que encaixava. Não de forma perfeita, mas de forma real.

Ele ensinou-lhe a rir mais alto, a perceber que o mundo não quebra quando se sai da linha, a dizer “sim” sem desmontar o universo primeiro e que o inesperado também pode ser um lugar seguro.
Ela ensinou-lhe a ficar, a cuidar, a descobrir que algumas coisas valem mesmo a pena quando não se foge delas.

E, sem darem por isso, começaram a ajustar-se, não como quem se molda por obrigação, mas como quem se descobre no outro.

Ela já não precisava que tudo fosse perfeito.
Ele já não precisava que tudo fosse passageiro.

Entre suaves provocações, olhares cúmplices que diziam mais do que qualquer frase e pequenas discussões que acabavam sempre em riso, foram-se tornando abrigo um do outro.

Sem se darem conta, construíram um ritmo próprio, meio dança, meio tropeço, mas sempre encontro.

Porque o amor deles não era uma linha reta, era um caminho cheio de curvas que, estranhamente, os levava sempre ao mesmo lugar: um ao outro.

Não era planeado, mas era escolhido, todos os dias.

Ela deixou de querer controlar todos os finais.
Ele deixou de fugir sempre que algo começava a parecer importante demais.

E talvez tenha sido isso…
Nunca ter sido o que ela imaginou e, ainda assim, ser exatamente o que o coração dela precisava…

Que dá o encanto à história, onde tu és a singela Princesa… e eu, um mero vagabundo!

My kinda Lover
Billy Squier

Comentários