Driftaway


Era para ter sido apenas um dia, um dia normal, daqueles ordinários, onde o tempo passa e o desnorte viaja para o sul, mas não foi!

Foi o dia, a noite, o glamour, o ambiente e as conversas tontas que entraram em espiral, daquelas entre memórias e desejo, entre carne e risos sinceros e por um segundo todos os medos desaparecem entre o passado e o presente, entre desculpas de sonsos.

-“Eu não sei se faço, não sei se posso …, diz me o que é que tem?

Apenas o eco, de uma história que muitos não vivem uma viva toda, conhecer-te outra vez, ver-te de uma nova forma, tocar-te pela primeira vez, sem culpas, sem cansaços que a vida são apenas dois dias.

Fogo de artificio, estrelas, praia, cumplicidade e ontem, na timidez do querer, do piano que ainda está aqui.

Esquece que amanhã o sol acorda, entrega-te só porque sim, só porque o vinho está bom, só porque se pode, só porque o que lá vai, lá vai e porque no nosso tempo é estupidez deixar passar!

-“Cames e peixinhos, escondidas, pé -coxinho, solta a vela, está de sul”

Pede outra garrafa para o nosso por do sol, recolhe o improvável, saboreia o sabor do sorriso no calor dos meus lábios…

-“O Clima sobe tá quente e nos dois de repente”

Quando somos fim, seremos finalmente momento d’esse “tu” que por um insignificante instante prende-me, apetece-me, no devaneio do acidental beijo entre a sala e o gira-discos, entre a música ao piano e o champanhe entre a timidez de quem se conhece e o desejo do desconhecido.

_”E o carnaval dá-nos samba a vida inteira”

As paredes não falam, apenas cúmplices de danças na sala, de verbos bons e de bom tom, completos, repletos, que, confesso, marcam a vida, marcam a alma!

Tudo, no arrepio da espinha, no olhar cúmplice de quem se deseja, na falta de ar, na vibe viva de “ai a vida”, no improvável mais que provável do avesso de quem arrisca com tudo aquilo que tem!

 

Era para ter sido um dia qualquer, apenas um dia, um dia normal, mas foi simplesmente “Tu”!

 

 

Hoje
ÁTOA ( :) )

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