Anteontem e a trela do cão.
Poderia
começar por qualquer estória já inventada de final feliz, qualquer conto
encantado, por algum encantamento desencantado, ou apenas pelo começo.
Poderia
começar pela alegria estapafúrdia do sabor das paixonetas, ou das noites, ou
dos dias, ou simplesmente de te ver dormir feliz, momentaneamente feliz…
Ou poderia
começar já pela parte menos boa, dos momentos de trovoada, de rezinguice e de
pausa na vida, (se calhar despachávamos já isso), mas esses como os sonhos
pouco sorridentes também seriam uma insignificância.
Poderia
começar pela parte em que só pelo olhar sabemos que se um “diz mata, o outro
diz esfola”, que o sorriso de cumplicidade sabe que não importe o quê, será
sempre o porto de abrigo, um pouco de Deusa e tudo de mulher.
Poderia até
perder tempo e começar pela parte de todas as loucuras que fizemos até o
Universo dizer: “- Está na hora!” e o “acaso” ter juntado aquela trela com o
teu querer, e aquele teu querer com a minha vontade, mas essas apesar de toda a
importância, não faria sentido terem protagonismo.
Pelo teu
sorriso, pelo teu carisma, pela forma como iluminas a festa e como regressas a
casa de sapatos na mão, poderia ser até um pouco mais selvagem e arriscar
apostar na parte em como me despes só com o olhar, de como o sorriso contigo
ganha personalidade, ou de como de uma forma completamente cega me pedes colo
sem ser preciso uma palavra, ou de como tens a coragem de confiar a Tua vida
nas minhas mãos.
Poderia
começar pela parte de como aceitas de forma espontânea qualquer maluqueira
minha, de como decides atravessar o país só para se ir buscar aquela garrafa
especial para servir com um qualquer esparguete ordinário ao meu lado.
De como
finges meia dúzia de passos só para dançares o refrão d’aquela música favorita
e me veres sorrir, mesmo que isso seja arriscar uma vergonha gigantesca, de
como me beijas com a mesma vontade seja o horário de bom dia, ou de: -# Estas
louco?! Já viste as horas?”
De como me fazes
sentir, e sentindo de como queres que faça sentido, de como inesperadamente
apareces só para deixar um beijinho no atendedor de chamadas, para que o dia
seja mais leve.
Poderia
começar na parte onde me pegas na mão e me convences que juntos ninguém nos
para,
Ou ligar aquela
parte mais dramática que grita todo o medo de que tudo se desmorone, que o
amanhã seja pouco, ou da urgência de viver, mesmo que sejam as mesmas coisas
com a subtil colossal diferença de ser contigo.
Poderia, mas,
no entanto, e apesar do tanto, seria pouco, seria uma nota em uma sinfonia
inacabada, que continua ainda hoje a ser estudada e apreciada não pelo seu
preço, mas pelo seu valor.
Um
destravado de alma,
De como um
qualquer barrete no teatro se transforma na melhor apresentação de “Les Misérables”
ao teu lado.
Por seres um
bocadinho minha.
Poderia
arranjar todas as desculpas, todas as pressas e todas as calmarias à beira-mar,
Poderia
começar por tudo o que vivemos e o que vamos viver.
De como as
almofadas deste hotel ganham outro desejar contigo, que espero por ti nesse
sonho que tranquiliza, com o mesmo bom dia, diferente, no monótono pequeno-almoço,
só porque consegui aquele pequeno milagre dos croissants serem os que adoras comer
em um raiar de sol no 234.
Por esse
olhar gritar por mim mesmo que esteja do outro lado do mundo ou embrulhado na
leitura de um qualquer incompreensível livro no escritório ao lado enquanto em segurança
vês a tua serie ali pertinho na sala.
Poderia,
Mas isso ia retirar o querer dos dias, as vontades dos momentos a surpresa de viver e de experienciar ao teu lado e isso nunca poderia ser um começo que levasse a um final feliz!Beautiful Things (cover Benson
Kelly Clarkson (Live on the Kelly Clarkson Show)

Comentários