ANJO MAU!



Sempre pensei que a Vida era dos “Fracos”, aqueles que sabendo o seu Valor, não sentem a necessidade de provar nada e assim aparentemente passarem ao lado do Mundo.

Digo aparentemente, porque ser discreto não é ser Nulo.

Da mesma forma que acredito que a alegria de uma vida acompanha os mesmos valores, porque a mesma não está, na verdade, em ninguém em especial, desenganem-se os sortudos, os assim-assim e os “vai se andando”…

A Alegria, a Felicidade e a Vida persiste no agarrar do momento, no cheiro de uma primavera e até no sabor de um dia de chuva, e só desaparece na conjugação do verbo “desistir”…

Percebo aos poucos que na verdade escolher a opção mais fácil, mais cómoda não implica efectivamente que esta seja a melhor, pois muitas vezes, se não todas, não passa de um estado em que se continuará ser a pessoa que se era!

Sou dos que não deseja Tudo, se esse mesmo Tudo não passa de uma amontoado de “coisas” que em nada me trás o que realmente preciso…

Vivo de selecções, de pequenos nadas e momentos fugazes que assim como os “Fracos” marcam uma vida.

Ter presente que (querer) ter tudo, pode também ser sinónimo de se perder na mesma proporção!

E que por vezes, as coisas tornam-se insubstituíveis… E mais uma vez aparentemente…
Aparentemente! Ora ai está!

Na verdade nunca gostei muito da historia do aparentemente, do superficial, do parece que sim e do deixa estar…

Sou dos que vive dentro e por dentro dos momentos, dos sentimentos, dos olhares e dos cheiros mesmo que assim tão intensamente termine como começa em um capítulo.

Porque receios não fazem desaparecer o seu outro lado, torna-nos mais cómodos até ilusoriamente mais fortes, mas as hipóteses continuam lá, continuamos a sorrir da mesma forma que choramos, a ouvir o silencio assim como um burburim de uma cidade em chamas, a sentir com o mesmo toque e a ganhar da mesma forma que perdemos…

Aceitar que descrever sentimentos pode tornar-se em uma em ”emaranhado de setas” difíceis de alguém entender.

Nem tudo tem forçosamente uma explicação, nem tudo tem uma palavra, e querer constantemente justificações e explicações quânticas e complexas é retirar o que os momentos têm de melhor, esse estado único e espontâneo despido de segundas intenções.

Escolhemos o filme da nossa vida! E eu prefiro aqueles de uma corrida à chuva, no lugar de uma pacata e segura chávena de chá no aconchego de um sofá.

Dos dois lados do mundo, das sempre duas hipóteses escolho a que me faz o sangue correr a altas rotações independentemente da insegurança que isso me dá!

Não critico quem não o faça, não tenho sequer essa pretensão, apenas reparo e compreendo que naturalmente existirá um relógio algures por uma torre que ditará a hora em que temporária ou definitivamente os caminhos de escolhas tão ambíguas deixaram de se cruzar…

Mas o que é bom para uns, não tem que ser forçosamente perfeito para outros é a mescla de diferenças que torna tudo tão fascinante…

Devemos e temos a obrigação de fazermos o que nos torna únicos no último suspiro!

Independentemente de isso ir ou não ao encontro das expectativas de terceiros, não é nossa responsabilidade o que outros desejam ou sonham, mas é nossa obrigação lutar e respeitar pelos e os nossos!

A vida não espera, que os “Fortes”, tomem a coragem de questionar por uma vez!

A vida tem que ter do princípio ao fim um brilho e uma tonalidade inquietante, mesmo que isso nos torne aos olhos da justiça social bons de espírito, ou maus de hábitos quero lá saber dos arquétipos dos Santos ou dos Loucos

Quero e faço da minha vida um estado que lute incessantemente para que a fantasia não desapareça!

E já mais deixarei de dizer ou escrever banalidades como AMO-TE, apenas porque (supostamente) isso é coisa de Fracos, ou por receios que o Mundo pare!

Até porque o Mundo não para porra nenhuma, as pessoas irão chorar, rir, as lojas irão abrir, o dia irá amanhecer e tudo isso irá acontecer no preciso e exacto momento em que de dentro para fora se aceite que a “Normalidade” não passa de uma ilusão imbecil e estéril que me “transforma” a cada tiquetaque…

…Em um Anjo Mau & o seu fim...


The animals were gone (Live @ jools Holland)
Damien Rice

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