Quando eu voltar…
Ainda há anjos de verdade, daqueles que contão histórias de
montanhas e de sentimentos que aos poucos incendeiam:
E, se o tempo não poder parar, eu queria, ao menos, fintar o
futuro, e ter a chance de voltar.
De viver outros contos, de sorrir, de fazer novos planos e
novas promessas. De resgatar histórias em que mesmo sem brilho no rosto,
reflectia por onde passava.
Mas, enquanto não há amanhã,
Se, vez ou outra eu me cruzar em um qualquer segundo da tua
vida, pelo menos sorri para mim, não precisa ser aquele sorriso apaixonado em
que os olhos disseram tanto que o seu brilho bloqueou as palavras.
Esquece o medo, não há mais nada a perder,
Se eu tivesse o poder de descrever a vida, diria que tem um
sorriso único. Desses que nos fazem ter vontade de sorrir também, sem motivo ou
justificação, mas porque contagia e, quando contagia, parece apenas assim, uma
simples e singela espécie de céu!
Se eu tivesse a autoridade
para descrever o amor, confessaria que ele tem um coração tão bom que retrata o
teu olhar, os teus gestos e o teu jeito.
Se eu tivesse o direito de descrever o desejo, falaria do
seu abraço apertado, que acalma, que alivia, um abraço que é abrigo, que é
morada.
Quando eu voltar,
Poderei ter a hipótese de escolher o caminho mais fácil, de
traçar a menor rota, de desistir logo ao primeiro erro,
Mas quando eu voltar, quero apenas encontrar-te, sentar-me em
banco de jardim e contemplar, contemplar as tardes, as noites, as horas e areia
da praia.
Não estamos sós na saudade,
Não existe nenhum roteiro, nem regras, métricas ou escanção,
que ditem que a saudade se esvazia de poesia, de sabor, de emoção, de arrepio ou
calor…
Os vilões ficaram para trás, já não há monstros debaixo da
cama, já não importa o que está certo, o que está errado ou que possa trazer à tona magoas passadas, se foi coincidência ou destino, se foi acaso ou sorte.
Alguém um dia disse-me que a direcção é mais importante que
a velocidade, no entanto devagar a gente vai-se acomodando, deixando para amanhã,
fazendo depois, esperando o momento oportuno, criando obstáculos, sentindo medo,
dificultando tudo.
Devagar o tempo passa e pensou-se demais, calculou-se demais
e acima de tudo hesitou-se demais.
Por isso,
“Quando eu voltar abraça-me por dentro e aperta-me,
aperta-me de tempo.
Porque… Quando eu voltar…
…Será o suficiente para mim!
In the End
Linkin Park Cover (feat. Fleurie & Jung Youth)

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