I do...
"Se não era amor,
Se não era amor, era da mesma estrada, do mesmo caminho, era
do mesmo sentir.
Era pouco mais que pouco menos, era o que se diria de um
estado estatal, daquilo que pouco falta do que pouco sobra…
Pois, acabou sobrando o que sobra dos corações abandonados.
A carência. A saudade. A mágoa.
Um quase desespero, de uma espécie de avião em queda que
sabemos que vai acabar se estabilizando, só não sabemos se vai ser antes ou
depois de se encontrar ferozmente com o solo.
E, Eu bati a 250 km por hora e estou voltando a pé para casa,
juntando esse pouco que sobra, de tudo o que faltou, julguei que tal qual os
almanaques poderíamos reescrever uma história com jeito de mato, de ser em
essência, mas a cada passo percebi que era mais de desencontros que se falava,
que se contava, era muita mais de distancias do que proximidades, de contos
incontáveis e matematicamente inexplicáveis!
Eu sei, não me precisa dizer outra vez. Era uma diversão,
uma “paixonite”, um jogo entre adultos.
E…
E… Talvez este seja o ponto.
Talvez eu não seja adulto o suficiente para brincar tão
longe do meu pátio, do meu quarto, dos meus heróis de capa e espada. Não
deveria arriscar a mais de 500 metros da porta de casa.
Onde é que eu estava
com a cabeça, de acreditar em contos de encantar, de achar que a gente muda o
que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria
a minha vida satisfatória, sem sequelas, sem registro de ocorrência?
Onde é que estava?
Eu não amei. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesmo
naquela verdade inventada.
Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma
travessura. Não era amor, eram dois travesseiros.
Não era amor, eram dois. Não
era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo.
NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR
E isso… É lindo!"
Goodbye Tomorrow
Andre Indiana

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