Lancelot de Algibeira!


Fossem 5 os sentidos, 500 os rostos, 5000 as almas, 50.000 os sorrisos, 5.000.000 os clamores.

Fossem os tempos contados, os dias revisitados, os poemas revoltados, as silabas insubmissas, as alvissaras guardadas, a misericórdia calada, o sorriso resguardado, o amor aprisionado e o verbo feito passado.

Fossem os “querer” reflexo, os textos palavras apenas vans, as cãs pretextos do nada, o tato um espelho de pose e o amor uma espécie de posse.

Fosse o segredo um suspiro, como um aí vindo de dentro, um olhar que desconcentra o centro de um mundo novo.

Fosse tudo isto a verdade de tudo o que é verdadeiro e o mais que se não diz e o menos que se não cala, e um rumor de lucides, tudo atravessaria como o assomo da lua sem culpa no seu luar, uma voz se elevaria acima de todas as outras pedindo-nos que a ela ouvíssemos, rogando-nos que a ela escutasse-mos.

Historias revisitadas em que Era uma vez… Muitas vezes, povoadas de memórias tão intensas quanto inocentes.

Eis o universo do sentir! Das dezenas, dos milhares, feito das falas que falam, das coragens que se acobardam, dos contos que contam, das vidas que vivem de repetida pancada que invoca o som de Molière, o coração de Chekhov o batimento de Brest.

Fossem 5 os sentidos,
Esperança e dissabor, sabor e gosto e retratos e molduras e estatua e movimento, perpétua enquanto vida, efêmero enquanto dela é retalho.

Assim é o mundo entre sonhos e ficções, realidades tangíveis inocências a preto e branco e a cores, matizes de alma em pousio, telas, palcos e publico, ovações e silencio, memórias e metamorfose!

Fossem 500 os rostos,
E o “palco” pertencer-lhe-ia do trono que dele faz, no dizer projetado, na escrita que é monologo e dialogo.

Fosse, só porque fosse,
A distância de um gesto, ora doce, ora severo, sedutor, amargo irónico!

 E Assim a Dama que tem medo dos temporais é ela própria uma força da natureza! Sublime e subliminar, astuta, encantadora na catadupa de “quereres”, poemas e operettas, figura de proa maior que um pensamento, onde as vigias embalam sonhos, e os sorrisos teimam não quebrar a chama.

E sem outra margem que a do seu próprio desejo, que a da sua própria vontade… Aos que a escutam, aos que a veem, aos que a sentem, resta a sonoridade das mãos, a melopeia do beijo e o ritmo dos corações tangentes, que como as noites únicas se deixam embalar pela afinação da palavra pela finesa do traço, pelo aroma da pele que enche de brilho e calor os ecos de uma vida.

E que não se perca em elogios, que não se perca nas palavras e que por tudo e acima de tudo, simplesmente não se perca!

Hoje, há uma memória com saudade, e mesmo que a matemática da vida obrigue a mais uma translação da terra, pouco importa porque não é de um fim, mas de um principio que se fala, porque se fala de um amor que fala de si mesmo, como “alguém”, normalíssimo com mais jeito para o sentir do que para outras coisas.

E na verdade as outras coisas agradecem, ter ficado no palato do sentimento, e p’lo sentir se curvam em sinal de respeito!

Quer tudo isto dizer que fossem 5 os sentidos e mundo seria menor para o sentimento…
 


Answer Live
Sarah Mclachlan


Comentários

Mensagens populares deste blogue

#justreal

O beijo e a Princesa,

Cais 37,